23 maio 2012

A vez do rock d’Os Sheiks



Logo depois da saída de Alfredo Ramos, João Moiano, Joel Nascimento e do João Aires da Silva d’Os Soprantes; não demorou muito para que os músicos formassem outra banda. Em 1973 nasce, então, Os Sheiks. Recrutam o saxofonista Antônio Ladi Mendonça e Augusto Teixeira (Guto) para ocupar o cargo de vocalista.

A formação original dos Sheiks se alinha da seguinte maneira: Alfredo Ramos, no teclado e vocal; João Moiano, no trompete e vocal; Joel Nascimento, no contrabaixo; João Carlinhos, na guitarra-base e vocal; João Aires da Silva na bateria; Antônio Ladi Mendonça, no saxofone, e o Augusto Teixeira (Guto), no vocal principal.

Assim como na segunda fase d’Os Soprantes, quando faziam parte da banda, continuaram a tocar um repertório focado nos sucessos da época do rock nacional. Os Ie-ie-iês da Jovem Guarda e de Renato e Seus Blue Caps, Beatles, e passaram a agregar  à lista músicas do Creedence Clearwater Revival, que na época estava estourando e fazendo muito sucesso. Os Sheiks não tiveram composições próprias.

A banda inicia uma constante de apresentações, nos clubes locais e em cidades da região. “Em São Borja, além de termos tocado em todos os clubes da cidade, tocamos também nas boates Tala Larga, que era na esquina de cima onde é ou era o cinema Presidente; em uma boate inaugurada quase em frente ao posto Shell (aonde antes era um depósitos de bananas do Sr.Kurt), e em muitas festas organizadas nos colégios da cidade”, rememora o músico Alfredo Ramos. 

Os Sheiks também se apresentaram do outro lado do rio, no país vizinho. Segundo Ramos, fizeram “muitos shows na Argentina, especificamente em Santo Tomé. Eram sempre contratos para tocarmos nos clubes e também para promoções estudantis”.

Ele recorda, também, de uma apresentação particular que fizeram: “Uma vez chegamos a tocar na casa de um empresário de São Borja, à beira da piscina em uma noite de verão. E nesta apresentação privada, estava a Vera Fischer, que na época eu não lembro se já era miss ou não”. 

O músico conta que com o grande número de shows que o grupo fazia, tornaram-se bastante conhecidos e requisitados na região. “Os Sheiks era uma das melhores bandas do momento, em toda a região da fronteira. Tocamos em muitos carnavais do Clube Comercial e também em muitas cidades do Estado. Na época, além dos Sheiks, as melhores bandas do momento, também, eram algumas de Santo Ângelo, Alegrete, Ijuí e de Porto Alegre.”

Como de comum na maioria dos conjuntos, Os Sheiks também passaram por mudanças em sua formação. O contrabaixista Joel Nascimento voltou para sua cidade natal, Santo Ângelo, e posteriormente passou a tocar na banda San Marino. Joel Nascimento conta um pouco de sua passagem pelos Sheiks: “(...) participei de quase todas as bandas de maior expressão de São Borja na época, e me considero o "fundador" dos Sheiks, juntamente com os demais parceiros e amigos. Fui o responsável pela escolha dos componentes e pela arrecadação do dinheiro que tocamos no carnaval e também na praça onde era apresentado o concurso de músicas de carnaval. No término das festas carnavalescas fui a Porto Alegre adquirir os instrumentos: baixo, guitarra, bateria e outros; para dar inicio a nova banda Os Sheiks. Nunca parei de participar de bandas musicais e sendo a de maior expressão que fiz parte foi a banda San Marino, de Santa Rosa, onde toquei por mais de 15 anos."

Com a saída do Joel Nascimento, o grupo colocou em seu lugar Rafael. A banda passaria por mais trocas na sua formação, por conta da evolução do repertório.

”Como o nosso repertório estava cada vez melhor, pois passamos a executar musicas dos Beatles, do Creedence e também músicas francesas (estas a esposa do Dr, Freire as escutava, copiava as letras e nos ensinava a pronúncia). O repertório ficava mais nervoso e exigia um bom guitarrista. Trouxemos o Serginho (atual violonista aí em São Borja). Precisávamos de um guitarrista-solo, então o Serginho nos falou que tinha um rapaz que era um exímio violonista e morava em Itaqui. Nós o trouxemos para fazer um teste e o rapaz nos surpreendeu pela alta técnica que tinha. Esse rapaz é o Juliano Trindade, mais conhecido como "Bonitinho”, dono do atual conjunto gaúcho chamado ‘Eco do Minuano e Bonitinho’. Depois que o Bonitinho saiu, tivemos como guitarrista o Geraldo (irmão do Eraldo, músico de São Borja) – ambos, e também o Samuel foram da banda Os Titânicos de Porto Alegre. Os três fizeram parte dos Sheiks, mas por pouco tempo”, conta Ramos.

Conforme Ramos, durante “quase sete ou oito anos” Os Sheiks estiveram na ativa. Tocando e animando em muitos bailes e boates. Tudo ia bem, até que a febre da disco music com a sua massificação tomou conta dos clubes. Muitas bandas de rock ficaram em segundo plano, em detrimento à musica mecânica. 

“Com o surgimento de promoções de bailes em ambientes maiores que os dos clubes da cidade, animados pelo que chamamos na época de "Música Eletrônica" (hoje chamamos de DJ), os bailes animados por conjuntos musicais, nos clubes, começaram a diminuir muito. Em face disso, os Sheiks entraram em recesso e em reunião dos componentes, ficou decidido que os Sheiks parariam de tocar”, explica Ramos.

Antes do encontro de encerramento das atividades da banda, Os Sheiks se restringiam a poucos (quatro) elementos: Alfredo Ramos (teclado), João Aires (bateria), Rafael (contrabaixo) e Edivaldo Gutierrez (o Edimaior), como vocalista e guitarra-base. Nesta última fase de formação a banda deu seus últimos suspiros e acordes em alguns clubes pequenos  da cidade como, o 13 de Julho, o Clube Esperança, Clube União e em alguns colégios.











2 comentários:

derli pantaleão disse...

lembro da minha juventude em São Borja, onde muitos ensaios dos Sheiks acompanhei, la no esperança onde meu pai era presidente, bons tempos.

derli pantaleão disse...

oh saudade