19 novembro 2011

O memorável Pearl Jam em Porto Alegre

 Foto: Fábio Gudolle

Depois de oito dias a memória ainda está fresca e vez por outra se hipnotiza nas lembranças do que aconteceu. A mística noite de 11.11.11 vai ficar retida na mente de muitos que presenciaram o tão aguardado concerto da banda de rock americana Pearl Jam, em Porto Alegre. Os que foram em 2005 não perderiam mais uma chance de desfrutar de perto o momento de satisfação. E os que se arrependeram de não terem ido naquela ocasião, teriam a chance de sentirem a sensação da música e de tudo que permeia os shows imprevisíveis do grupo americano.

Então, o que se viu foi cerca de 20 mil pessoas – jovens, adultos, homens e mulheres – lotarem as arquibancadas, cadeiras e a pista do Estádio Passo D’Areia; casa do clube de futebol São José de Porto Alegre. Se deslocarem de suas cidades e passarem todo o dia na fila, aguentando o sol quente de primavera, não era de jeito nenhum um incomodo. Visto que, veriam ao vivo e escutariam em um som potente a sua banda favorita.

O ambiente era de felicidade e curiosidade no semblante de cada um que esperava ansioso, sentado ou de pé, na pista em frente ao palco gigantesco do show. Perto do horário marcado da apresentação principal todos já estavam a postos e inquietos pelo momento. Mas enquanto ele não chegava a multidão curtia a performance animada da banda X, veteranos do punk e que abrem essa turnê comemorativa do Pear Jam. Foi quando a primeira surpresa da noite aconteceu: durante a música Devil Doll, no show da banda de abertura, Eddie Vedder aparece humildemente no palco e provoca o primeiro alvoroço na multidão ao cantar junto com o grupo.

A hora da experiência 

Após a apresentação da banda X a hora tão esperada não demorou a chegar.

Pouco depois das 21h a banda entrou em cena, e com a multidão em gritos abriu com o soco de Why Go, do álbum de estreia Ten, levantando a plateia entusiasmada. Emendou na mesma intensidade com Do The Evolution, e o resto foi uma lavagem de singles e sucessos de todos os 20 anos de carreira da banda. Com a característica e o dom de oferecer um show único em cada lugar, o set list intercalou baladas e petardos bem enérgicos recheados de riffs com a perfeita simetria dos integrantes.

Eram ondas de pulos, cabeças balançando, braços pra cima, palmas, cantos em uníssono, gritos de satisfação em cada intervalo dos temas, fãs que não acreditavam que aquilo estava acontecendo. Enfim, todo aquele misto de ações e sentimentos que uma ótima banda proporciona.

O equilíbrio da lista de músicas, sucessos recentes e os já consagrados, foram a tônica do show. Porém, existiram muitos picos na apresentação, como: na bela Given To Fly e em seguida Even Flow, que colocou o público pra pular; na jovial State Of Love And Trust, relembrando o filme Vida de Solteiro; e colada à ela Black, uma das mais marcantes e românticas de toda a carreira da banda.

Eddie se mostrou muito interativo com a plateia durante todo o espetáculo. Leu em folhas brancas, no seu português arranhado, elogios aos fãs brasileiros: “Vocês são o melhor público do mundo”, e fez uma promessa: "Vamos sentir saudades. Mas prometo que vamos voltar logo".

Um dos momentos mais emocionantes da apresentação foi a homenagem que o cantor fez a sua mulher Jill, que aniversariava na mesma data. Eddie pediu para todos cantarem “Parabéns a Você” e foi aquele estádio inteiro cantando e batendo palmas, e Eddie acompanhando também em português.  Na sequencia, dedicou à sua mulher a linda canção Just Breathe, certamente arrancando lágrimas de muitos.

Em certo intervalo de uma música para outra, fez-se um silêncio e o público é pego de surpresa com Oceans, que raramente é tocada ao vivo. O que restava era fechar os olhos e sentir a vibração da música e da voz de barítono de Eddie Vedder.

Como é corriqueiro nos shows da banda tocar algum cover, Vedder homenageou seu amigo falecido Johnny Ramone e mandou I Believe In Miracles, fazendo o público cantar com furor o refrão de esperança.

A apresentação poderia acabar na cultuada Rearviewmirror, mas as músicas pareciam não parar nunca. Felizmente.

Então se ouviu um coro de vozes: Jeremy! Jeremy!

Ainda não era a hora.  E sim, da radiofônica Last Kiss e de Better Man.

E veio a trinca que definitivamente enlouqueceu os fãs. Jeremy, Alive e Rockin’ In The Free World (Neil Young) estremeceram o Estádio, com uma multidão de vozes cantando os refrãos em harmonia.

Indifference e Yellow Ledbetter encerraram uma noite longa de celebração e milagre através da música. Foram 2h e 45min inesquecíveis... De uma sublimação da alma.

A banda mostrou um desempenho impecável. Eddie Vedder cantou com vontade, e como sempre, muito mímico. Até ameaçou subir na estrutura do palco, como fazia nos tempos em que era mais jovem. Percebeu-se a doação ao máximo de todos os integrantes. Tudo pela gratidão aos seus admiradores fiéis.

A verdade é que se torna muito difícil passar a sensação em palavras. Só quem presenciou sentiu o contentamento de ver de perto uma das mais talentosas bandas de rock do mundo.

 Foto: Frederico Bravo Pillon

Video da abertura do show:
 

Um comentário:

Editora Conceito disse...

Se arrependimento matasse...