14 abril 2012

Momento próspero


Celebre
O atual momento
A satisfação do tempo
A sua disposição

Agradeça
Esse seu caminho
Merecido
Útil e digno

Faça!
Aproveite
Os prazeres
Os sorrisos latentes

Deguste
A vida, com a companhia divertida da família
Com a empatia dos verdadeiros amigos
Em volta das gastronomias
E das bebidas

Sinta!
Os sentidos
As sensações do clima
O gelado

O ambiente
O efeito das músicas
O estouro das bolhas
A suavidade das espumas

A felicidade dos reencontros
Dos abraços
E das distrações

Descubra as emoções.

17 março 2012

A fase de ouro d’Os Soprantes


Por volta do final dos anos de 1960 e inicio de 1970, existiram três grupos musicais bastante ativos em São Borja, em que alguns integrantes chegaram a participar de formações das três bandas. São elas: Os Dinâmicos, Os Soprantes e Os Sheiks.
Dessa vez vamos nos ater na história do conjunto Os Soprantes.

A banda nasceu em meados de 1968 a partir da ideia e da vontade do Sargento Naval carioca, Jerson Mendes. A formação inicial da banda consistia em: Jerson Mendes, na guitarra e no vocal; João Aires da Silva, na bateria; e José Nascimento, também na guitarra; ambos são-borjenses.

Mas cerca de um ano depois, em 1969, entra então a figura do músico, também natural de São Borja, Alfredo Ramos: “Comecei a ir aos ensaios dos Soprantes. No início da banda o Jerson só tocava músicas românticas, baladas, boleros; e o que estava bombando na época eram as músicas do Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis, e outros”, conta.

Com a necessidade de adicionar a esse repertório inicial os sucessos do momento, a banda então recebeu o acréscimo de mais integrantes, com o intuito de executar tais temas. Houve, a partir daí, um rodízio na frente dos instrumentos.

“O José Nascimento não sabia fazer na guitarra, a batida, os ritmos das músicas dessas bandas do momento. Eu as treinava em casa, em meu violão e, uma vez no ensaio deles, eu peguei a guitarra e fiz os ritmos das músicas do Renato, e o João Moiano (são- borjense) que fora junto comigo, as cantou. Aí o Jerson gostou e nos convidou para fazer parte dos Soprantes. Então passei a ser o guitarrista dos Soprantes, o José Nascimento passou para o contrabaixo (que ninguém tocava por não ter músico para tal instrumento) e o João Moiano saiu dos Dinâmicos e passou a fazer parte dos Soprantes, cantando e tocando trompete”, relembra Ramos.

Ramos recorda também como que o teclado começou a fazer parte da sonoridade do conjunto: “O Jerson comprou um teclado marca Arbon, era um show da época. Eu treinei muito no piano do Clube Comercial, durante a Quaresma e quando esta terminou, treinando no piano, eu me tornei um músico autodidata e aprendi a acompanhar, no teclado, 15 músicas do repertório dos Soprantes. Foi então que o José Nascimento voltou para a guitarra e o meu amigo Joel (nativo de Santo Ângelo) saiu dos Dinâmicos e veio fazer parte, também, dos Soprantes, tocando o contrabaixo”.

O repertório foi definido com basicamente músicas dançantes, para animar bailes, com a execução de temas do Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis, e outras bandas nacionais famosas da época; além das baladas românticas a cargo do fundador Jerson Mendes.

Formação e set list consagrados, o grupo ganha o gosto do público e começa a tocar em boa parte dos bailes do Clube Comercial; assim como nas boates da casa também.

Nessa época fazem shows em outras cidades do Estado, como: Porto Lucena, Santa Maria, Santiago, Porto Alegre e Uruguaiana.

A banda seguiria nessa constante de sucesso por dois anos, até que por desentendimentos aconteceu a separação do grupo. Alfredo Ramos, João Moiano, Joel Nascimento e João Aires da Silva resolvem sair e formar Os Sheiks.

Os Soprantes ainda seguiriam por mais um ano com o fundador Jerson Mendes, junto a outros músicos. Mas, por estes serem de outras cidades acabou por inviabilizar o prosseguimento da banda. Por pelo menos quatro anos Os Soprantes animaram as noites são-borjenses.

 Os Soprantes no Aeroporto (Campo de Aviação) de São Borja: da esquerda para a direita; Alfredo Ramos, João Aires da Silva, Joel Nascimento, João Moiano, Jerson Mendes, e Pedro (bagagista da banda).

O adeus de mais um ícone

 
Infelizmente, me sinto na obrigação de escrever sobre mais uma partida irretornável de um homem e artista da nossa música nativista gaúcha. No dia 12 do último dezembro, aos 63 anos, morreu em Porto Alegre, o cantor José Cláudio Machado. Vitimado pelos prazeres dos excessos com álcool e fumo. Um enfisema pulmonar o pealou.

Também compositor e gaiteiro, o tapense José Claudio Machado começou sua trajetória consagrada ao compor em parceria com Claudio Boeira Garcia o clássico Pedro Guará, que ergueu a Calhandra de Ouro na segunda edição da Califórnia da Canção Nativa, em 1972. Na mesma década fez parte do grupo Os Teatinos, junto com Glênio Fagundes, Paulo Portela Fagundes e Marco Aurélio Campos. Com eles, gravou dois álbuns riquíssimos e notórios do folclore gaúcho: o Telurismo I e II. Chegou a participar e gravar também por um período com o conjunto Os Serranos e foi parceiro do pajador Jayme Caetano Braun.

Mas, seu reconhecimento mesmo veio ao interpretar versos de Mauro Moraes, que viriam a ser alguns dos seus maiores sucessos, como Lástima, Fulanos e Sicranos, e Milonga Abaixo de Mau Tempo. Machado eternizou em canção essas poesias. Assim também, como: Chasque Para Dom Munhoz, de Airton Pimentel e Campesino de letra de José Theodoro dos Santos Jr.

Deixou de legado 14 álbuns com a sua maior marca: a voz. Dentre esses trabalhos, dois são obras interessantes para qualquer entusiasta da música gaúcha: as parcerias com Bebeto Alves em Milongueando Uns Troços (1993); e com Luiz Marenco em De Bota e Bombacha (2001).

Foram quatro décadas dedicadas à arte gaúcha. O corpo vai, mas o espírito fica em suas músicas, em imagens como a do braço erguido com um pala de seda atado ao punho cantando “São gritos de bamo-cavalo, toca toca, êra êra...” da famosa Pêlos no programa Galpão Crioulo, debaixo da figueira conversando antes de interpretar Milonga Abaixo de Mau Tempo. Enfim, um artista que com o seu cantar galponeiro deixou uma marca singular e eterna encravada no cancioneiro regional gaúcho.

29 fevereiro 2012

Mesmo nas incertezas pode-se sentir momentos de felicidade plena.

17 fevereiro 2012

Por uma vida carnavalesca



Há sempre uma aura triste no carnaval. As aparências todas estão reluzentes, mas por trás dos passos e sorrisos há uma angustia de preocupação com o futuro próximo. Os dias de festa são anestésicos da realidade. Desvios prazerosos. Boas doses de felicidades concretas ou artificiais. Existe um sentimento de negação do fim. Mas, infelizmente todo o carnaval tem o seu. E como é duro e difícil encarar o acabou. Encarar a quarta-feira de cinzas. O pior dia do ano. O mais depressivo e solitário. Há um contraste de comportamento. Somos obrigados a pensar, a seguir em frente. Dar jeito nas ações e na coragem para enfrenta-las.

Mas ao mesmo tempo o carnaval serve para sorrirmos e gozar o engraçado. Contemplar a felicidade. A celebração dos momentos, das companhias e conversas cheias. Serve para não pensar. E sim, aproveitar a vida. A ocupação das bebidas, das gargalhadas, da audição dos sambas, embora os verdadeiros sejam cheios de ilusões perdidas. O samba de raiz; entenda-se Noel, Cartola, Nelson Cavaquinho; entre tantos outros, é a manifestação dos sentimentos sinceros, das agruras e das satisfações vividas.

Portanto, nos deparamos com a tristeza. Não tem como fugir dela. Ela também é essencial, tanto quanto a alegria. Então, há de se prestar atenção estritamente nos ritmos. Dançar, cantar, imaginar o positivo. Agradecer a felicidade. Nem que seja a brevidade dela. Há de se buscar um momento carnavalesco a cada dia.

Boas festas a todos!

13 fevereiro 2012

No texto da postagem Histórias do Rock de São Borja, da sessão Rock de São Borja, aqui deste blog, houve uma declaração polêmica da fonte entrevistada. Publico aqui, então, a resposta de Alfredo Ramos, que foi integrante da banda Os Sheiks:

Uma coisa que achei errado foi o entrevistado que consta na sessão Histórias do Rock de São Borja, expor uma situação que nunca aconteceu na sua totalidade com o conjunto Os Sheiks, conforme segue: "Em 1974, eu comecei a escutar Os Sheiks. Tinha o G. que tocava muito bem guitarra. Pena que se destruíram nas drogas, esse que foi o problema dessa turma. Se não foi droga, foi a bebida. Isso que acabou com quase todos. Os Sheiks já tocavam Elton John, aquela Crocodilo Rock".

Nós não nos destruímos conforme cita o entrevistado, nós paramos porque era o momento de isso acontecer. E quanto a drogas, quem a consumia era somente o "G", pois nenhum dos outros componentes dos Sheiks usava drogas. Eu, o Moiano, o João Carlinhos, o João Aires e o Joel só bebíamos refrigerantes. Eu era quem mais se preocupava, na banda, com o estado do "G”, pois eu tinha que o vigiar durante todo o dia de sábado, quando iríamos tocar em algum clube, para que ele não consumisse, a fim de que Os Sheiks permanecessem com a boa conduta social que sempre teve.

Meu caro amigo Fábio, essa é a história verdadeira.